certa vez me perguntaram como era presenciar o fim de um amor
eu, metido disse:
é como uma super nova, a morte de uma estrela:
rápido o suficiente para não ser notado
e intenso o suficiente para se saber ocorrido...
e no espaço fiquei.
Rodrigo da C. Lima Bruni
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
a peça que faltava
hoje eu dei por mim:
susto,
respira fundo,
testa suada de suor frio e impetuoso
implacável,
impulsivo
dei por mim,
e quando já tinha notado
já estava feito
já tinham-se deferido a manada de insultos e ofensas
se soubesse, tinha preferido
a calma concordância sonsa e tensa
retesada,
puta e possessa
ao invés dessa bolha de métrica arrependida que me rege
ai, reles plebe
tão reles que não consigo reiná-la
me escorre através dos dedos
me discorre proferindo dedos
indicadores, apontado pro centro da minha culpa
"você nunca vai ser perfeito o suficiente pra ela"
me profere dedos médios
me desmedindo insultos embrazados
criticas do corpo, direto ao cérebro pasmado
dei pra mim uma boa dose de consciência
torci que assim, se pusesse em prática
a tática de reacertar as peças no tabuleiro
da mesinha de xadrez da minha praça
e talvez até funcione,
a questão é:
dei por mim que nunca serei, por mais que insistente
tentando à todo custo
veemente (mente)
o melhor pra ela:
sei lá...
em algum momento disso tudo, perdi a peça-base do meu castelo de lego
tenho medo que agora, depois de tanto,
venha a ruir.
Rodrigo da C. Lima Bruni
susto,
respira fundo,
testa suada de suor frio e impetuoso
implacável,
impulsivo
dei por mim,
e quando já tinha notado
já estava feito
já tinham-se deferido a manada de insultos e ofensas
se soubesse, tinha preferido
a calma concordância sonsa e tensa
retesada,
puta e possessa
ao invés dessa bolha de métrica arrependida que me rege
ai, reles plebe
tão reles que não consigo reiná-la
me escorre através dos dedos
me discorre proferindo dedos
indicadores, apontado pro centro da minha culpa
"você nunca vai ser perfeito o suficiente pra ela"
me profere dedos médios
me desmedindo insultos embrazados
criticas do corpo, direto ao cérebro pasmado
dei pra mim uma boa dose de consciência
torci que assim, se pusesse em prática
a tática de reacertar as peças no tabuleiro
da mesinha de xadrez da minha praça
e talvez até funcione,
a questão é:
dei por mim que nunca serei, por mais que insistente
tentando à todo custo
veemente (mente)
o melhor pra ela:
sei lá...
em algum momento disso tudo, perdi a peça-base do meu castelo de lego
tenho medo que agora, depois de tanto,
venha a ruir.
Rodrigo da C. Lima Bruni
receio
tenho medo,
andei um bom tempo bem seguro do tempo bom que vinha vivendo
hoje não;
iminente,
medo de perder tudo o que eu construi numa tabela de seno
cosseno e tangente
tem gente que simplesmente acha isso bobo
eu, bobo, já achei isso simples
mas mente quem acha isso jogo
de interesses, culpas e mentes
provas, faltas: sumiço
tenho medo;
sempre fui tão ignobilmente insutil
tão indiferente, vazio,
e logo depois de tanto,
tanto perder como que por água que se escorre em vortex de funil
começa largo
fica-se escasso
e vai afinando, afinando
até que se reduz à nada,
tudo bem que não quero e nem sonho com uma vida de conto de fada
mas não quero perder o amor que construí
tudo bem que não arrisco os princípios e sonhos que sozinho imbuí
mas mesmo assim
sussurra-me uma vontade de arriscar tudo
só pra não ter de a riscar
tenho medo;
hoje despertei pro grande medo que não era grande em mim
despertei pra tudo o que a vida me presenteou
despertei que ela me despertou tudo, assim;
desesperei:
"não posso, seria suicídio"
mas não impus opinião
afinal,
frente ao fim repentinamente inadiável e ante o infarto do coração
amedrontei,
amarelei e esbranquicei
fui mais eu do que realmente me sou, afinal
e mesmo tendo ao fim, dado um (provisório) fim
sinto que este é algo irrefreável
como a morte:
não se sabe bem o que finda
sabe-se apenas que fenda funda
ferida fica;
em carne-viva;
Rodrigo da C. Lima Bruni
andei um bom tempo bem seguro do tempo bom que vinha vivendo
hoje não;
iminente,
medo de perder tudo o que eu construi numa tabela de seno
cosseno e tangente
tem gente que simplesmente acha isso bobo
eu, bobo, já achei isso simples
mas mente quem acha isso jogo
de interesses, culpas e mentes
provas, faltas: sumiço
tenho medo;
sempre fui tão ignobilmente insutil
tão indiferente, vazio,
e logo depois de tanto,
tanto perder como que por água que se escorre em vortex de funil
começa largo
fica-se escasso
e vai afinando, afinando
até que se reduz à nada,
tudo bem que não quero e nem sonho com uma vida de conto de fada
mas não quero perder o amor que construí
tudo bem que não arrisco os princípios e sonhos que sozinho imbuí
mas mesmo assim
sussurra-me uma vontade de arriscar tudo
só pra não ter de a riscar
tenho medo;
hoje despertei pro grande medo que não era grande em mim
despertei pra tudo o que a vida me presenteou
despertei que ela me despertou tudo, assim;
desesperei:
"não posso, seria suicídio"
mas não impus opinião
afinal,
frente ao fim repentinamente inadiável e ante o infarto do coração
amedrontei,
amarelei e esbranquicei
fui mais eu do que realmente me sou, afinal
e mesmo tendo ao fim, dado um (provisório) fim
sinto que este é algo irrefreável
como a morte:
não se sabe bem o que finda
sabe-se apenas que fenda funda
ferida fica;
em carne-viva;
Rodrigo da C. Lima Bruni
do amor
do amor, pensei que já tinha descoberto tudo
enganei;
não sei de nada
sei de pouco do seu conteúdo
sei lá,
me sinto falso e soberbo
achando que achado tinha meu coração;
não sei,
do amor eu sei a afirmação
ao menos assim era
menos, assim, eras muito mais grandioso
imaculado no companheirismo do todo dia
de toda briga
porra de viga que ainda se faz em mim estrutura
não sei mais de nada dessa alma escura
que habita meu corpo
e se auto-intitula amor
dor, amor;
é não saber se amo-te como antes
dou amor
meu coração à ti
dou e o doei
porém
não sei
ele fica ainda arritmado
ainda...
do amor
sobrou-se apenas a dor
de não saber-se , talvez
mais amar.
Rodrigo Da C. Lima Bruni
enganei;
não sei de nada
sei de pouco do seu conteúdo
sei lá,
me sinto falso e soberbo
achando que achado tinha meu coração;
não sei,
do amor eu sei a afirmação
ao menos assim era
menos, assim, eras muito mais grandioso
imaculado no companheirismo do todo dia
de toda briga
porra de viga que ainda se faz em mim estrutura
não sei mais de nada dessa alma escura
que habita meu corpo
e se auto-intitula amor
dor, amor;
é não saber se amo-te como antes
dou amor
meu coração à ti
dou e o doei
porém
não sei
ele fica ainda arritmado
ainda...
do amor
sobrou-se apenas a dor
de não saber-se , talvez
mais amar.
Rodrigo Da C. Lima Bruni
sexta-feira, 2 de julho de 2010
recipiente rubro II
este barro que me compõe não é barro
é algo mais forte
inquebrável
como um barco de casco indestrutível, inquebrável;
o bairro que me sediava já foi mutável
hoje, fixo
estável
hoje, todo prestável
fico todo à disposição do conteúdo que englobo
e à todo dispor, retenho-me a propor
o compromisso de satisfação e cultivo de tal semente que encerro
emprego-me jardineiro
dedicado à botânica desse conteúdo ao qual esmero
pois quando cultivado, floresce como relva
e de instantes, quando pisco
pronto; vira selva
perigosa e cheia de mistérios
com leões tigres e onças
pisco novamente
fica tudo inocente
calmo e sereno
doce como perfume de rosa
e como bom jardineiro, que adora o perfume das rosas
guardo para mim tal cheiro doce de se cheirar
e quando falta-me;
ai que vontade forte de chorar!
mas sou fiel e dedicado ao trabalho
ponho-me à enxada
semeio toda enxurrada
de dedicação pelo meu conteúdo
conteúdo esse, magro
não carnudo
mas ainda assim cheio de sumo de carne fresca e lisa
assim, como bom católico que todo dia se põe à missa
humedeço essa tal dessa hortaliça
com meia dúzia de respingos, para não a afogar
e quando, raramente, me tento em lhe podar
antes de mais nada me ponho à pensar,
que todo recipiente tem por objetivo conter, guardar
e quê faria eu sem conteúdo com o qual cuidar?
nunca poderia eu, jardineiro de rosas vermelhas
com cheiro de camélias doces, adocicadas rosas festeiras,
podar meu jardim
pois ele é grato
e quanto mais cresce, mais se entranha em mim
e de mim faz parte
eu, que nunca fui bom em arte
me torno uma obra da tal
não por ser intelectual nem pomposa
mas porque o conteúdo que encerro é linda e graciosa
não me pesa muito, pois é leve
não me ocupa muito pois tem sebe
e como uma cerca-viva, me faz cercado e vivo
horrorizo qualquer corte em sua estrutura
pois é perfeita com todo seu espinho
e eu, recipiente em desalinho
me sinto um mero jarro pintado de vermelho
diante de toda beleza, que até o espelho
faz questão de confirmar.
pois é
o barro que me compõe não é barro
é algo mais forte, inquebrantável
e inviolável é essa dedicação minha
que se perpetua por tempos
e eu com meus anseios,
não anseio nada além do seu amor de rosa,
vermelha,
viva;
vermelho vivo fico todo sem graça de assentir
o quão vermelho e vivo sinto-me de pronto
quando apronta-me carícias ou despeja-me encantos
e o quão encantado minha missão de cultivo se faz
sempre que tal cultivo responde-me, perspicaz:
te amo e te amo
para todo o sempre e ainda mais.
viva,
a rosa viva que me foi dada em forma de mulher.
Rodrigo da C. Lima Bruni
é algo mais forte
inquebrável
como um barco de casco indestrutível, inquebrável;
o bairro que me sediava já foi mutável
hoje, fixo
estável
hoje, todo prestável
fico todo à disposição do conteúdo que englobo
e à todo dispor, retenho-me a propor
o compromisso de satisfação e cultivo de tal semente que encerro
emprego-me jardineiro
dedicado à botânica desse conteúdo ao qual esmero
pois quando cultivado, floresce como relva
e de instantes, quando pisco
pronto; vira selva
perigosa e cheia de mistérios
com leões tigres e onças
pisco novamente
fica tudo inocente
calmo e sereno
doce como perfume de rosa
e como bom jardineiro, que adora o perfume das rosas
guardo para mim tal cheiro doce de se cheirar
e quando falta-me;
ai que vontade forte de chorar!
mas sou fiel e dedicado ao trabalho
ponho-me à enxada
semeio toda enxurrada
de dedicação pelo meu conteúdo
conteúdo esse, magro
não carnudo
mas ainda assim cheio de sumo de carne fresca e lisa
assim, como bom católico que todo dia se põe à missa
humedeço essa tal dessa hortaliça
com meia dúzia de respingos, para não a afogar
e quando, raramente, me tento em lhe podar
antes de mais nada me ponho à pensar,
que todo recipiente tem por objetivo conter, guardar
e quê faria eu sem conteúdo com o qual cuidar?
nunca poderia eu, jardineiro de rosas vermelhas
com cheiro de camélias doces, adocicadas rosas festeiras,
podar meu jardim
pois ele é grato
e quanto mais cresce, mais se entranha em mim
e de mim faz parte
eu, que nunca fui bom em arte
me torno uma obra da tal
não por ser intelectual nem pomposa
mas porque o conteúdo que encerro é linda e graciosa
não me pesa muito, pois é leve
não me ocupa muito pois tem sebe
e como uma cerca-viva, me faz cercado e vivo
horrorizo qualquer corte em sua estrutura
pois é perfeita com todo seu espinho
e eu, recipiente em desalinho
me sinto um mero jarro pintado de vermelho
diante de toda beleza, que até o espelho
faz questão de confirmar.
pois é
o barro que me compõe não é barro
é algo mais forte, inquebrantável
e inviolável é essa dedicação minha
que se perpetua por tempos
e eu com meus anseios,
não anseio nada além do seu amor de rosa,
vermelha,
viva;
vermelho vivo fico todo sem graça de assentir
o quão vermelho e vivo sinto-me de pronto
quando apronta-me carícias ou despeja-me encantos
e o quão encantado minha missão de cultivo se faz
sempre que tal cultivo responde-me, perspicaz:
te amo e te amo
para todo o sempre e ainda mais.
viva,
a rosa viva que me foi dada em forma de mulher.
Rodrigo da C. Lima Bruni
recipiente rubro
o amor que guardei sem saber
em mim se guarda e se faz querer
ser, cada vez mais amado e quisto
o amor que guardei bem guardado
já foi tristíssimo, hoje relaxado
solto e soberbo nas saliências do coração
o amor que guardei não foi fútil, espasmo
telefone sutil, anotado em guardanapo com rasgo
foi sonho são de louco consciente de verter
cada gota de amor, secretado sem nem eu mesmo saber
o amor que guardei e guardo
não é incoveniente
digo "mentira!" , logo se ressente
"me ardo" responde-me triste
me abro, o peito em riste,
todo pronto para recebê-lo sobre mim
dentro de mim, sem nem ter feito assim
algum preparo para tal
o amor que guardei, guardei de bobo
quietinho no seu canto
(e no meu conto de tolo,
pensava eu.
amor algum há de se ter)
como bom teimoso me pus à escrever:
"capítulo um: destino"
-paragrafo farto ou em desalinho?-
eu, que me punha em questionamento
pensei pensei e pensei
numa boa abertura pro meu livro xexelento
não achei,
mais pensei...
mas, pensei,
se amor é amor e ponto
porque não começar de pronto?
digo, no sentido direto, sem meneios
então, assim foi se afeiçoando
meu livro de amor, cada vez mais sendo humano
e cada vez mais me dava conta de todo amor que guardei em mim
e de todo verso que esqueci, assim
besta, de escrever
e mais uma vez cada pedaço do meu coração em uníssono dizia
que cada amor que vomitei, serviu na confeitaria
do preparo para este que agora me é bolo e me embola
e que o amor que guardei assim
percebi, ao final de conta:
"esse amor não é à mim"
era sim, àlguem
esse amor sabe bem quem
que cada dia eu amo mas
quanto mais o faço
mais sinto vontade de o fazer
Rodrigo da C. Lima Bruni
em mim se guarda e se faz querer
ser, cada vez mais amado e quisto
o amor que guardei bem guardado
já foi tristíssimo, hoje relaxado
solto e soberbo nas saliências do coração
o amor que guardei não foi fútil, espasmo
telefone sutil, anotado em guardanapo com rasgo
foi sonho são de louco consciente de verter
cada gota de amor, secretado sem nem eu mesmo saber
o amor que guardei e guardo
não é incoveniente
digo "mentira!" , logo se ressente
"me ardo" responde-me triste
me abro, o peito em riste,
todo pronto para recebê-lo sobre mim
dentro de mim, sem nem ter feito assim
algum preparo para tal
o amor que guardei, guardei de bobo
quietinho no seu canto
(e no meu conto de tolo,
pensava eu.
amor algum há de se ter)
como bom teimoso me pus à escrever:
"capítulo um: destino"
-paragrafo farto ou em desalinho?-
eu, que me punha em questionamento
pensei pensei e pensei
numa boa abertura pro meu livro xexelento
não achei,
mais pensei...
mas, pensei,
se amor é amor e ponto
porque não começar de pronto?
digo, no sentido direto, sem meneios
então, assim foi se afeiçoando
meu livro de amor, cada vez mais sendo humano
e cada vez mais me dava conta de todo amor que guardei em mim
e de todo verso que esqueci, assim
besta, de escrever
e mais uma vez cada pedaço do meu coração em uníssono dizia
que cada amor que vomitei, serviu na confeitaria
do preparo para este que agora me é bolo e me embola
e que o amor que guardei assim
percebi, ao final de conta:
"esse amor não é à mim"
era sim, àlguem
esse amor sabe bem quem
que cada dia eu amo mas
quanto mais o faço
mais sinto vontade de o fazer
Rodrigo da C. Lima Bruni
sexta, 2 de julho
2010
ano de copa
o copo cheio de patriotismo amarelo
o peito azul, quase roxo
as árvores mais verdes que nunca
a mente, branca, limpa de pessimismo
ou pelo menos assim foi em grande parte
em parte, entendo que o coração do brasileiro bate no peito e não no pé
descarto toda forma de validade dessa competição
e acho, cada dia mais e mais, que não se passa de um nada simulado
mas simultaneamente,
fico triste pois toda nossa gente
sofre como um todo
e o que pra muitos seria uma chance de felicidade instantânea
fonte de orgulho por ter nascido já em desgraça
torna a desgraça mais desgraçada ainda
Brasil,
já saí da tua placenta
contenta-te com o penta
pois nosso hexa...
bem,
fica pra próxima.
Rodrigo da C. Lima Bruni
ano de copa
o copo cheio de patriotismo amarelo
o peito azul, quase roxo
as árvores mais verdes que nunca
a mente, branca, limpa de pessimismo
ou pelo menos assim foi em grande parte
em parte, entendo que o coração do brasileiro bate no peito e não no pé
descarto toda forma de validade dessa competição
e acho, cada dia mais e mais, que não se passa de um nada simulado
mas simultaneamente,
fico triste pois toda nossa gente
sofre como um todo
e o que pra muitos seria uma chance de felicidade instantânea
fonte de orgulho por ter nascido já em desgraça
torna a desgraça mais desgraçada ainda
Brasil,
já saí da tua placenta
contenta-te com o penta
pois nosso hexa...
bem,
fica pra próxima.
Rodrigo da C. Lima Bruni
desabafo
nasci aqui
onde mendigos vivem à rua
em cobertores sujos e maltrapilhos
onde dividimos nossas casas com essa tal mulher
dissimulada e venenosa
que é a nossa violência de cada dia
sim, nasci aqui
nasci e cresci aqui
e aqui, cresço e apodreço
pois nada que daqui brota
por muito tempo se mantêm
nasci aqui, com a cabeça sempre alerta
os olhos atentos, à espreita
nasci canhoto, porém à direita
em contradição comigo mesmo
pois não almejo tal infelicidade
nasci do lado errado do globo
em errônea cidade
e futilidade é achar que mero grupo
de (des)patriotas
fariam mudar tal sina
nasci aqui, senhores,
e aqui padeço até perecer
pareço-me com muitos outros
que queriam ver sua nação brilhar e se fazer por merecer
cada pessoa trabalhadora que à forma
desejando mais do que sua noção poderia alcançar
vivi e vivo aqui
sem medo de morrer nem de sorrir
nasci aqui
e aqui apodreço como caqui
exposto em banca de feira
onde os fregueses me manipulam como querem
com desgosto preparo-me para a próxima feira
nessa vida nossa de Brasileiro
de todo dia de feira
e segunda-feira estamos todos novamente à venda
ao descaso
e fazendo pouco caso
de tudo que nos cerca
nessa nação onde tudo recai em festa
Carnaval, samba e desgraça
e a graça e achar graça nela
pra só assim poder viver
nascemos aqui;
somos Brasileiros
Rodrigo da C. Lima Bruni
onde mendigos vivem à rua
em cobertores sujos e maltrapilhos
onde dividimos nossas casas com essa tal mulher
dissimulada e venenosa
que é a nossa violência de cada dia
sim, nasci aqui
nasci e cresci aqui
e aqui, cresço e apodreço
pois nada que daqui brota
por muito tempo se mantêm
nasci aqui, com a cabeça sempre alerta
os olhos atentos, à espreita
nasci canhoto, porém à direita
em contradição comigo mesmo
pois não almejo tal infelicidade
nasci do lado errado do globo
em errônea cidade
e futilidade é achar que mero grupo
de (des)patriotas
fariam mudar tal sina
nasci aqui, senhores,
e aqui padeço até perecer
pareço-me com muitos outros
que queriam ver sua nação brilhar e se fazer por merecer
cada pessoa trabalhadora que à forma
desejando mais do que sua noção poderia alcançar
vivi e vivo aqui
sem medo de morrer nem de sorrir
nasci aqui
e aqui apodreço como caqui
exposto em banca de feira
onde os fregueses me manipulam como querem
com desgosto preparo-me para a próxima feira
nessa vida nossa de Brasileiro
de todo dia de feira
e segunda-feira estamos todos novamente à venda
ao descaso
e fazendo pouco caso
de tudo que nos cerca
nessa nação onde tudo recai em festa
Carnaval, samba e desgraça
e a graça e achar graça nela
pra só assim poder viver
nascemos aqui;
somos Brasileiros
Rodrigo da C. Lima Bruni
segunda-feira, 8 de março de 2010
o mistério das folhas e flores
toda folha que se preze cai
toda flor que se preze cai
despenca da árvore
e ao relento fica
no chão frívolo e turbulento
lá de baixo, ambas amam sua árvore
toda folha que se preze ama sua árvore
por isso cede seu corpo como pulmão
sem interesses, sem ambição
toda flor que se preze ama sua árvore
por isso cede sua vida para poder gerar uma outra
flor e folhas têm um caso de amor platônico com suas árvores
ela as usa
depois se desfaz
como lixo inútil
e a flor lá debaixo, mesmo sem cor nem cheiro
mesmo perdendo suas pétalas
ama sua árvore
e a folha lá debaixo, mesmo ressequida e sem forma
mesmo torrada pelo sol
ama sua árvore
e a árvore ama somente suas raízes
é bom acostumar-se com o chão úmido e frio da floresta
porque cedo ou tarde
todos despencamos de nossa árvore.
Rodrigo da C. Lima Bruni
toda flor que se preze cai
despenca da árvore
e ao relento fica
no chão frívolo e turbulento
lá de baixo, ambas amam sua árvore
toda folha que se preze ama sua árvore
por isso cede seu corpo como pulmão
sem interesses, sem ambição
toda flor que se preze ama sua árvore
por isso cede sua vida para poder gerar uma outra
flor e folhas têm um caso de amor platônico com suas árvores
ela as usa
depois se desfaz
como lixo inútil
e a flor lá debaixo, mesmo sem cor nem cheiro
mesmo perdendo suas pétalas
ama sua árvore
e a folha lá debaixo, mesmo ressequida e sem forma
mesmo torrada pelo sol
ama sua árvore
e a árvore ama somente suas raízes
é bom acostumar-se com o chão úmido e frio da floresta
porque cedo ou tarde
todos despencamos de nossa árvore.
Rodrigo da C. Lima Bruni
incauto
não tive precauções com meus atos desatados subitamente
desatado do meu nó, senti falta de ser amarrado
e tentei dar um nó de marinheiro
mas nunca soube dar nó
e também nunca gostei das forças armadas,
conclusão:
fiquei desarmado e desatinado
sem saber o que pensar nem fazer
fiz um pouco de brigadeiro
engordei uns poucos quilos não reparáveis
e fiquei assim
quieto, vazio
não retornável
como uma garrafa vazia de coca-cola
fiquei empilhado no bar da esquina
junto de milhões de outras
e ficava lá
quieto, e empilhado
sem nem reclamar nem sentir
fui incauto
não mensurei minhas atitudes não articuladas
não mensurei minha falta amor demonstrável
mas em seguida, demonstrei meu amor articulado
conclusão:
fiquei desarticulado
sem juntas nem articulações
sem ossos, nem músculos
fiquei um espaço dentro de carne , pelos e olhos e dentes
um espasmo de dor tão grande,
que o grito se perdeu no infinito
(o infinito é um espaço tão grande, que nem sei se acredito)
um espaço grande e empilhado sobre mim mesmo
como uma coca-cola não-retornável do boteco da esquina
nunca mais hei de amar.
Rodrigo da C. Lima Bruni
desatado do meu nó, senti falta de ser amarrado
e tentei dar um nó de marinheiro
mas nunca soube dar nó
e também nunca gostei das forças armadas,
conclusão:
fiquei desarmado e desatinado
sem saber o que pensar nem fazer
fiz um pouco de brigadeiro
engordei uns poucos quilos não reparáveis
e fiquei assim
quieto, vazio
não retornável
como uma garrafa vazia de coca-cola
fiquei empilhado no bar da esquina
junto de milhões de outras
e ficava lá
quieto, e empilhado
sem nem reclamar nem sentir
fui incauto
não mensurei minhas atitudes não articuladas
não mensurei minha falta amor demonstrável
mas em seguida, demonstrei meu amor articulado
conclusão:
fiquei desarticulado
sem juntas nem articulações
sem ossos, nem músculos
fiquei um espaço dentro de carne , pelos e olhos e dentes
um espasmo de dor tão grande,
que o grito se perdeu no infinito
(o infinito é um espaço tão grande, que nem sei se acredito)
um espaço grande e empilhado sobre mim mesmo
como uma coca-cola não-retornável do boteco da esquina
nunca mais hei de amar.
Rodrigo da C. Lima Bruni
onde existem as coisas
onde existe solidão não existe espaço para amar
onde existe tristeza e mágoa não há resquício de gota d'água
tudo ressecado, erodido
alusivo a velhos bordões de "pra sempre sempre acaba"
iludido por carinhosas menções de suprema importância
onde há isso tudo também há distância
discrepância entre o que se foi passado e o que se é presente
que não segue a linha de significação da palavra, propriamente dita;
onde existe a solidão e a falta de amor
o presente é um infortúnio
um peso nas costas, seguido de murmúrio
um prego nas mãos, como uma cruz eterna na qual se é afixado
um preso dentro de uma cadeia de segurança máxima
e as cadeias de fatos fazem tudo ficar pior
onde a máxima segurança não serve de nada
se me seguro, fico preso num balanço
indo e voltando nas minhas recordações
preferia que o presente fosse um eterno passado
bem melhor, bem mais carinhoso
a rememoração tem essa coisa de bipolar
uma de suas facetas é risonha, carinhosa
a outra é triste, só
e só quem não vê isso é quem por fora está
onde existem as coisas palpáveis
os sentimentos positivos, altruístas e incentivadores
onde existem as namoradas, te amo e amores
onde têm-se sonhos, paz e prazer
companheirismo, compreensão
compressão de coisas negativas
compactação de tristezas
compaixão por fraquezas
é justamente onde não estou
onde existe vida
a vida às vezes também desiste
Rodrigo da C. Lima Bruni
onde existe tristeza e mágoa não há resquício de gota d'água
tudo ressecado, erodido
alusivo a velhos bordões de "pra sempre sempre acaba"
iludido por carinhosas menções de suprema importância
onde há isso tudo também há distância
discrepância entre o que se foi passado e o que se é presente
que não segue a linha de significação da palavra, propriamente dita;
onde existe a solidão e a falta de amor
o presente é um infortúnio
um peso nas costas, seguido de murmúrio
um prego nas mãos, como uma cruz eterna na qual se é afixado
um preso dentro de uma cadeia de segurança máxima
e as cadeias de fatos fazem tudo ficar pior
onde a máxima segurança não serve de nada
se me seguro, fico preso num balanço
indo e voltando nas minhas recordações
preferia que o presente fosse um eterno passado
bem melhor, bem mais carinhoso
a rememoração tem essa coisa de bipolar
uma de suas facetas é risonha, carinhosa
a outra é triste, só
e só quem não vê isso é quem por fora está
onde existem as coisas palpáveis
os sentimentos positivos, altruístas e incentivadores
onde existem as namoradas, te amo e amores
onde têm-se sonhos, paz e prazer
companheirismo, compreensão
compressão de coisas negativas
compactação de tristezas
compaixão por fraquezas
é justamente onde não estou
onde existe vida
a vida às vezes também desiste
Rodrigo da C. Lima Bruni
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
tristeza em dó maior
tenho a música como aliada
não preciso de mais nada pra me suportar
no meu insuportável mundo de faz de conta
a conta longa
cheia de incógnitas não resolvidas
resoluções mal acabadas
e principalmente conjuntos soluções vazios
de que me importa se o que dói
dói, e dói
dói muito
se o que me comporta é uma bolha de sentimentos vazios e dissimulados
(mentira)
quando me comporto, sou todo compreensivo e altruísta
mas quando me enlevo, sou uma dentre as maiores pragas da humanidade;
gripe suína?
tuberculose?
pneumonia?
aids?
não;
arrependimento
cheio de patas, e pêlos e presas
cheio de outro, me parasitou por agora
mundo afora milhões o fazem
sugam sugam sugam
uns resultam em morte
outros em reconciliação
na maioria das vezes numa cisão eterna entre a auto-estima e o amor
sou cidadão que não exerce a cidadania de se ser humano
se arriscar
se enamorar
sim;
tenho a música como aliada
a mais forte, frutífera e fiel aliada
minto,
tenho a poesia também
na verdade é ela que me têm
nenhum poeta detêm, doma e domina poesia
seja grotesca, grossa, graça ou fina
seja fio de seda em verso
ou pedra tosca em estrofe
nenhum infeliz desafortunado a detém
e o que me convém
é sofrer calado, lendo a sinopse
do meu próximo capitulo de novela se desenrolar
o que me comporta é uma bolha
de sentimentos vazios e dissimulados eu minto
pra verdade eu calo e consinto
que eu só quero mesmo é voltar a amar.
a mesma
pessoa.
Rodrigo da C. Lima Bruni
não preciso de mais nada pra me suportar
no meu insuportável mundo de faz de conta
a conta longa
cheia de incógnitas não resolvidas
resoluções mal acabadas
e principalmente conjuntos soluções vazios
de que me importa se o que dói
dói, e dói
dói muito
se o que me comporta é uma bolha de sentimentos vazios e dissimulados
(mentira)
quando me comporto, sou todo compreensivo e altruísta
mas quando me enlevo, sou uma dentre as maiores pragas da humanidade;
gripe suína?
tuberculose?
pneumonia?
aids?
não;
arrependimento
cheio de patas, e pêlos e presas
cheio de outro, me parasitou por agora
mundo afora milhões o fazem
sugam sugam sugam
uns resultam em morte
outros em reconciliação
na maioria das vezes numa cisão eterna entre a auto-estima e o amor
sou cidadão que não exerce a cidadania de se ser humano
se arriscar
se enamorar
sim;
tenho a música como aliada
a mais forte, frutífera e fiel aliada
minto,
tenho a poesia também
na verdade é ela que me têm
nenhum poeta detêm, doma e domina poesia
seja grotesca, grossa, graça ou fina
seja fio de seda em verso
ou pedra tosca em estrofe
nenhum infeliz desafortunado a detém
e o que me convém
é sofrer calado, lendo a sinopse
do meu próximo capitulo de novela se desenrolar
o que me comporta é uma bolha
de sentimentos vazios e dissimulados eu minto
pra verdade eu calo e consinto
que eu só quero mesmo é voltar a amar.
a mesma
pessoa.
Rodrigo da C. Lima Bruni
não há mais nada
não há mais paixão
pela mera posição truculenta de dois astros
minha estrela maior se foi
meu sol se apagou
cessaram-se os milhões de fenômenos radiotivos de sua superfície
fiquei no frio, escuro, silencioso e áspero vazio
e o pior de tudo:
sozinho
e o pior tem todo um toque de sutileza comigo
as vezes nem se pronuncia
fica quietinho, no seu canto
me encantando com a sua ausência
mas então é um mero vislumbre surgir
que já me apeteço todo
já me sinto todo cinza
restos do que um dia foi fogo
e a sutileza tem todo um toque da fragrância natural dela
meu natural, portanto, permanece caduco
carrancudo
emburrado
queria permanecer encaracolado
todo encaracolado com ela
ao ponto de ser um só
queria retroceder ao passado
ter cortado certos laços antes biônicos
ter tomado biotônico
ter sido homem de verdade
mas como não posso viajar no tempo
fico aqui, agora
e não há mais nada
e não há mais vida como outrora.
Rodrigo da C. Lima Bruni
pela mera posição truculenta de dois astros
minha estrela maior se foi
meu sol se apagou
cessaram-se os milhões de fenômenos radiotivos de sua superfície
fiquei no frio, escuro, silencioso e áspero vazio
e o pior de tudo:
sozinho
e o pior tem todo um toque de sutileza comigo
as vezes nem se pronuncia
fica quietinho, no seu canto
me encantando com a sua ausência
mas então é um mero vislumbre surgir
que já me apeteço todo
já me sinto todo cinza
restos do que um dia foi fogo
e a sutileza tem todo um toque da fragrância natural dela
meu natural, portanto, permanece caduco
carrancudo
emburrado
queria permanecer encaracolado
todo encaracolado com ela
ao ponto de ser um só
queria retroceder ao passado
ter cortado certos laços antes biônicos
ter tomado biotônico
ter sido homem de verdade
mas como não posso viajar no tempo
fico aqui, agora
e não há mais nada
e não há mais vida como outrora.
Rodrigo da C. Lima Bruni
paradoxo carioca
o Cristo redentor deve ser a peça mais contraditória do mundo
ou ao menos deveria ser
os braços tão abertos
os olhos tão igualmente fechados
incapazes de enxergar o inferno à seus pés
-não, obrigado, hoje não vou subir o pão-de-açúcar nem o corcovado
hoje vou subir a mangueira, a roçinha
subir até não aguentar mais
os ouvidos estourarem e as narinas sangrarem
pra daí então tentar falar com Deus
isto é, se não o falar pessoalmente primeiro, no caminho para casa
vítima de uma bala perdida, coisa comum
como o Carnaval, futebol e pancadaria (não necessariamente nesta ordem)
uma vida perdida não é nada afinal
logo que, ao final, tudo vira pó mesmo
os viciados se satisfazem,
os traficantes lucram
tudo na mais perfeita harmonia
"tudo errado mas, tudo bem
tudo quase sempre como eu sempre quis..."
estamos todos vermelhos
vermelhos como o amor carioca
Rodrigo da C. Lima Bruni
ou ao menos deveria ser
os braços tão abertos
os olhos tão igualmente fechados
incapazes de enxergar o inferno à seus pés
-não, obrigado, hoje não vou subir o pão-de-açúcar nem o corcovado
hoje vou subir a mangueira, a roçinha
subir até não aguentar mais
os ouvidos estourarem e as narinas sangrarem
pra daí então tentar falar com Deus
isto é, se não o falar pessoalmente primeiro, no caminho para casa
vítima de uma bala perdida, coisa comum
como o Carnaval, futebol e pancadaria (não necessariamente nesta ordem)
uma vida perdida não é nada afinal
logo que, ao final, tudo vira pó mesmo
os viciados se satisfazem,
os traficantes lucram
tudo na mais perfeita harmonia
"tudo errado mas, tudo bem
tudo quase sempre como eu sempre quis..."
estamos todos vermelhos
vermelhos como o amor carioca
Rodrigo da C. Lima Bruni
helicoidal
síndrome do amor cíclico
severo, servil
senil um momento
outra hora escarlate
pulsando verbos
emoções,
sacras secreções
fruto da carne semeada com amor.
sim, sou cego de amor
as vezes lego desmontado
quando dou por mim sou um babaca untado
de lágrimas no rosto
coração mole, frouxo
e quando me reparo , de novo apertado
quando na verdade reparo meu coração
tiro-o do peito
coloco-lhe à mão
este me pulsa fraco, sem motivo pra pulsar
fica avulso, escapado
sem sistema cardiovascular
não o biológico
o extra corpóreo, e é lógico,
que legista algum iria prognosticar
a razão de sua provável morte
que não ocorre
corre-me de novo, pelas veias, amor líquido
adrenalina de carinho
fico todo doido
empapuçado de sentimento,
quase bêbedo
parece-me agirem lêvedos,
fermentando minha massa de pão
fico todo doído
dolorido por meu coração não caber no meu peito
passo gelol, nebacetim, sem nenhum efeito
nenhuma penicilina agiria em minha bactéria
meu problema não é tosse, febre ou diarreia
é amor cíclico
até em espiral, as vezes
meu problema-solução
que soluciona-se colocando a mão
em cada fio de cabelo
cada cravo, cada parte
se fazendo arte ao seu espectador
um quadro de da Vinci
vinte vezes mais perfeito
cada pele,cada pêlo
parece-me tão perfeito
que defeito algum se ministra em tal enfermo
nenhuma contra-indicação para o meu coração
nenhum risco, nenhuma lesão
só a síndrome do amor cíclico
nascido de solidão
transmutado em paixão
meu motivo assim ocorre
amar e deixar de amar
por mínimos segundos
mal motivo é o que dá e morre
mas esse não
esse me rege a vida
meu motivo de cabelo vermelho
vermelho ainda que um loiro encaracolado
sorriso cheio
coração farto
de minha recíproca circular sintomática
e a sistemática da coisa é tal
que meu motivo até quando se faz chato
continuo achando-o genial
Rodrigo da C. Lima Bruni
severo, servil
senil um momento
outra hora escarlate
pulsando verbos
emoções,
sacras secreções
fruto da carne semeada com amor.
sim, sou cego de amor
as vezes lego desmontado
quando dou por mim sou um babaca untado
de lágrimas no rosto
coração mole, frouxo
e quando me reparo , de novo apertado
quando na verdade reparo meu coração
tiro-o do peito
coloco-lhe à mão
este me pulsa fraco, sem motivo pra pulsar
fica avulso, escapado
sem sistema cardiovascular
não o biológico
o extra corpóreo, e é lógico,
que legista algum iria prognosticar
a razão de sua provável morte
que não ocorre
corre-me de novo, pelas veias, amor líquido
adrenalina de carinho
fico todo doido
empapuçado de sentimento,
quase bêbedo
parece-me agirem lêvedos,
fermentando minha massa de pão
fico todo doído
dolorido por meu coração não caber no meu peito
passo gelol, nebacetim, sem nenhum efeito
nenhuma penicilina agiria em minha bactéria
meu problema não é tosse, febre ou diarreia
é amor cíclico
até em espiral, as vezes
meu problema-solução
que soluciona-se colocando a mão
em cada fio de cabelo
cada cravo, cada parte
se fazendo arte ao seu espectador
um quadro de da Vinci
vinte vezes mais perfeito
cada pele,cada pêlo
parece-me tão perfeito
que defeito algum se ministra em tal enfermo
nenhuma contra-indicação para o meu coração
nenhum risco, nenhuma lesão
só a síndrome do amor cíclico
nascido de solidão
transmutado em paixão
meu motivo assim ocorre
amar e deixar de amar
por mínimos segundos
mal motivo é o que dá e morre
mas esse não
esse me rege a vida
meu motivo de cabelo vermelho
vermelho ainda que um loiro encaracolado
sorriso cheio
coração farto
de minha recíproca circular sintomática
e a sistemática da coisa é tal
que meu motivo até quando se faz chato
continuo achando-o genial
Rodrigo da C. Lima Bruni
desiste dor
notavelmente desisto
desistidor nato, é que sou
desistir é dor, nata de sofrimento
mas fazer o que se o que é, deve de ser doloroso
se é doloso, não sei
sei que o homicídio do meu sonho é culposo
fui pego com as mãos no gatilho
com impressões digitais no futuro discrepante
sem ter os pólos do meu sonho elétrico ligados ao meu sistema nervoso
logo o sonho fica lá, sem gerar nada, intoxicando minha vontade de não segui-lo
de não percorrê-lo minha corrente
meu sonho de "líthium"
de "on mercury"
de "sulfur";
sonho é radioatividade
te contamina a ínfima fita de DNA
daí cabe a escolha do referencial da loucura ou sanidade
eu, que já sem muito tempo pra pensar
penso no que vou fazer quando tiver de pular
de cima do muro,
cair
no meu quintal ou no da vizinha
sonho meu é e seria,
porventura,
radio atividade
mas não adianta
minha frequência é ínfima, insignificante
e pra piorar
me tentei por orar
Deus que nunca me respondeu em cifra,
me deduziu a equação do desgosto
me reduziu a calculador probabilístico de futuros
me induzindo a precisão de três casas decimais depois da vírgula;
meu futuro não cabe em três casas decimais
tenho dó de mi,
dó maior com baixo e mim menor.
Rodrigo da C. Lima Bruni
desistidor nato, é que sou
desistir é dor, nata de sofrimento
mas fazer o que se o que é, deve de ser doloroso
se é doloso, não sei
sei que o homicídio do meu sonho é culposo
fui pego com as mãos no gatilho
com impressões digitais no futuro discrepante
sem ter os pólos do meu sonho elétrico ligados ao meu sistema nervoso
logo o sonho fica lá, sem gerar nada, intoxicando minha vontade de não segui-lo
de não percorrê-lo minha corrente
meu sonho de "líthium"
de "on mercury"
de "sulfur";
sonho é radioatividade
te contamina a ínfima fita de DNA
daí cabe a escolha do referencial da loucura ou sanidade
eu, que já sem muito tempo pra pensar
penso no que vou fazer quando tiver de pular
de cima do muro,
cair
no meu quintal ou no da vizinha
sonho meu é e seria,
porventura,
radio atividade
mas não adianta
minha frequência é ínfima, insignificante
e pra piorar
me tentei por orar
Deus que nunca me respondeu em cifra,
me deduziu a equação do desgosto
me reduziu a calculador probabilístico de futuros
me induzindo a precisão de três casas decimais depois da vírgula;
meu futuro não cabe em três casas decimais
tenho dó de mi,
dó maior com baixo e mim menor.
Rodrigo da C. Lima Bruni
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Retalho de ação
orvalho, pela manhã
acordo, durmo e acordo de novo
escarro, cuspo, bebo e lavo
café com pão
à agua encosto a mão
e do melado imputo o não
mais existir
talho, pela tarde
fruta solta polpa
bunda, que apalpo
morena que enlaço
camisa, feixe e botão
arrebenta, finda em explosão
de libido
tolho, pelo por do sol
a continuação, compromisso
saio de manso, mudo, canso
de dizer, não dizendo propriamente dito
me fito, esguio, espelho
cabelo, barba, pentelho
e me sou demasiadamente mais eu
corro, pela noite opção
à minha morada descansar
molho, de macarrão insosso
põe pitada, pito fumo, teto fosco
filho pródigo
falha minha:
esqueci o verbo amar;
ao menos amamos
amenos amáveis
verbos biodegradáveis
Rodrigo da C. Lima Bruni
acordo, durmo e acordo de novo
escarro, cuspo, bebo e lavo
café com pão
à agua encosto a mão
e do melado imputo o não
mais existir
talho, pela tarde
fruta solta polpa
bunda, que apalpo
morena que enlaço
camisa, feixe e botão
arrebenta, finda em explosão
de libido
tolho, pelo por do sol
a continuação, compromisso
saio de manso, mudo, canso
de dizer, não dizendo propriamente dito
me fito, esguio, espelho
cabelo, barba, pentelho
e me sou demasiadamente mais eu
corro, pela noite opção
à minha morada descansar
molho, de macarrão insosso
põe pitada, pito fumo, teto fosco
filho pródigo
falha minha:
esqueci o verbo amar;
ao menos amamos
amenos amáveis
verbos biodegradáveis
Rodrigo da C. Lima Bruni
Redação
Ontem eu acordei
matei cinco pessoas
fui entregar a droga na boca
pus um cigarro à boca
suicidei-me, pessoa louca!
esqueci que gente burra não tem futuro
não pode querer mudar
senão o futuro se põe a medrar
e fico só,
no passado,
puto à ladrar
debaixo
da terra
e se ela ainda fosse branca
morria feliz, cheio de esperança
de acordar
e matar mais uma criança
com a única bala que não vende no boteco
Rodrigo da C. Lima Bruni
matei cinco pessoas
fui entregar a droga na boca
pus um cigarro à boca
suicidei-me, pessoa louca!
esqueci que gente burra não tem futuro
não pode querer mudar
senão o futuro se põe a medrar
e fico só,
no passado,
puto à ladrar
debaixo
da terra
e se ela ainda fosse branca
morria feliz, cheio de esperança
de acordar
e matar mais uma criança
com a única bala que não vende no boteco
Rodrigo da C. Lima Bruni
arcos da lapa
vadia é a vida louca
sem dados nem nada
cai pela sarjeta, rola da escada
trôpega, bêbada, leviana
sem nem a morte sentir
levanta, se limpa e se põe a mentir
"não, um dia tomo tenência"
continua apesar de qualquer consequência
segue sua cina em direção ao seu centro de gravidade
mete o pé no acelerador, afunda a embrenhagem
quarenta, sessenta, cem
quarentena? dispensa resenha,
de motivos e sintomas;
descansa, muito puta
pra dia de semana, cair na labuta
posto que sexta é dia de farra
sábado é dia de farra
e domingo é um dia de fera
pois segunda é dia de terra,
nos pés, anda como louca
trabalha como louca
chega em casa, dorme e acorda
muito mal dormindo, e vai trabalhar
tão rotineiramente
que até noutra vida assim faria
amor, sabe lá ela
sabe dos dentes, dos horários e honorários
das constelações, causas e complicações,
da primeira segunda e porventura terceira guerra mundial
sabe do lamento nacional à morte do nacionalismo
desconfia de uma nova epidemia de egoísmo
se imuniza aos desgostos
opiniões dos outros
crises da economia
e casos da suína epidemia
se morre, pouco perde
se vive pouco ganha
amor, sabe ela, é coisa que não sabe nada
afinal, envaidecida, procura se aventurar por outras saias e blusas
sapatos e mangas
calcinhas e bundas
tendo como único amor, a vontade de se aventurar à vontade
vida é uma vadia louca.
Rodrigo da C. Lima Bruni
sem dados nem nada
cai pela sarjeta, rola da escada
trôpega, bêbada, leviana
sem nem a morte sentir
levanta, se limpa e se põe a mentir
"não, um dia tomo tenência"
continua apesar de qualquer consequência
segue sua cina em direção ao seu centro de gravidade
mete o pé no acelerador, afunda a embrenhagem
quarenta, sessenta, cem
quarentena? dispensa resenha,
de motivos e sintomas;
descansa, muito puta
pra dia de semana, cair na labuta
posto que sexta é dia de farra
sábado é dia de farra
e domingo é um dia de fera
pois segunda é dia de terra,
nos pés, anda como louca
trabalha como louca
chega em casa, dorme e acorda
muito mal dormindo, e vai trabalhar
tão rotineiramente
que até noutra vida assim faria
amor, sabe lá ela
sabe dos dentes, dos horários e honorários
das constelações, causas e complicações,
da primeira segunda e porventura terceira guerra mundial
sabe do lamento nacional à morte do nacionalismo
desconfia de uma nova epidemia de egoísmo
se imuniza aos desgostos
opiniões dos outros
crises da economia
e casos da suína epidemia
se morre, pouco perde
se vive pouco ganha
amor, sabe ela, é coisa que não sabe nada
afinal, envaidecida, procura se aventurar por outras saias e blusas
sapatos e mangas
calcinhas e bundas
tendo como único amor, a vontade de se aventurar à vontade
vida é uma vadia louca.
Rodrigo da C. Lima Bruni
derivando amor (quando tende ao infinito)
o interminável invólucro envolvente do beijo de um segundo
quê seria dele sem o sentimento
sem o consentimento do tempo, por ele passar desapercebido;
muito tenho sabido sobre a sabedoria da salada de línguas
de fato tenho mais lambido o amor do que o amado, propriamente dito
é que se tendo algo interminável e envolvente
não se enche os olhos por algo finito e maçante, rotineiro e irritante
é que se tendo trem pra descarrilhar
o mesmo é muito mais emocionante do que no trilho galgar o rumo
sei lá, falta-me oxigênio demais
logo, penso com eloquência, figuras falsas
de falsa sapiência
tudo porque beijo um beijo interminável e inviolável de uns quinze minutos
e o beijo me beija outro beijo de mesma intensidade e sentido oposto
por eletrização, me arrepio à física das bocas em contato,
fluindo-se libidos
transfusando-se bactérias
transmutando-se da carne coração
do coração a adrenalina
da adrenalina a taquicardia
da taquicardia verbo, impulso nervoso:
amo, verbo beijar na primeira pessoa do elétrico infinito infinitivo particular presente
e por consequência beijo dois lábios molhados, que me beijam beijos molhados
me perco entre os quais se dividem em bocas
que me molham beijos nervosos
milhões de bocas de um lábio
trinta minutos...
trinta e cinco...
quarenta...
quarenta e cinco...
a interminável boca me envolve num invólucro envolvente de um segundo onipotente
pois da partilha de enésimos minutos
esse um segundo fracionado
me beijaria por toda minha vida
toda minha vida invólucra envolvida por um interminável beijo de um segundo
Rodrigo da C. Lima Bruni
quê seria dele sem o sentimento
sem o consentimento do tempo, por ele passar desapercebido;
muito tenho sabido sobre a sabedoria da salada de línguas
de fato tenho mais lambido o amor do que o amado, propriamente dito
é que se tendo algo interminável e envolvente
não se enche os olhos por algo finito e maçante, rotineiro e irritante
é que se tendo trem pra descarrilhar
o mesmo é muito mais emocionante do que no trilho galgar o rumo
sei lá, falta-me oxigênio demais
logo, penso com eloquência, figuras falsas
de falsa sapiência
tudo porque beijo um beijo interminável e inviolável de uns quinze minutos
e o beijo me beija outro beijo de mesma intensidade e sentido oposto
por eletrização, me arrepio à física das bocas em contato,
fluindo-se libidos
transfusando-se bactérias
transmutando-se da carne coração
do coração a adrenalina
da adrenalina a taquicardia
da taquicardia verbo, impulso nervoso:
amo, verbo beijar na primeira pessoa do elétrico infinito infinitivo particular presente
e por consequência beijo dois lábios molhados, que me beijam beijos molhados
me perco entre os quais se dividem em bocas
que me molham beijos nervosos
milhões de bocas de um lábio
trinta minutos...
trinta e cinco...
quarenta...
quarenta e cinco...
a interminável boca me envolve num invólucro envolvente de um segundo onipotente
pois da partilha de enésimos minutos
esse um segundo fracionado
me beijaria por toda minha vida
toda minha vida invólucra envolvida por um interminável beijo de um segundo
Rodrigo da C. Lima Bruni
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