domingo, 19 de outubro de 2008

estranha inspiração

é estranho
mal comecei e já sinto-a esvair por entre os dedos
seria eu injusto para portar tua infinitude?
de palavras, de pessoas,
de cadências
de virtudes.

seria eu, impróprio, impuro
a escrever-te, ó inspiração,
talvez com meneios lindos
talvez com palavras rudes?


Rodrigo da C. Lima Bruni

à poesia

à poesia atribuo minha alma
gotas de suor,
lágrimas de rancor
cada sentimento pressentido
pré-sentir o falso amor.


à poesia atribuo meu confuso
confusa infusão
de contundida impressão:
mundo, personifica ilusão


á poesia atribuo meu quase não querer
não querer sentir
não querer ver
preferir ressentir
preferir escrever


á poesia atribuo minha auto-inspiração
desnecessária de buscar
obrigatória a sentir
se me fugires, alguma vez
fatigado irei dormir.



Rodrigo da C. Lima Bruni

terça-feira, 14 de outubro de 2008

desimportância

sou criatura desimportante
tudo é desimportante
exceto a arte
e os verdadeiros amigos, irmãos

fora isso, tudo é inútil, fútil
amor, amores
vida, dores
tudo segue essa cadência pra lugar nenhum
tudo é desimportante

eu sou , mas meu eu
esse jamais será
porque és, de fato extensão e parte
do que me constata ser arte

por isso escrevo meu ser
por que meu corpo, ferramenta de ter prazer,
satisfazer
para não mais querer;
esse vai embora

mas meu eu, ser artístico
rimado em verso, prosa
ritmado em som
permanecerá, traidor
do meu corpo sofredor.

e ao final permanecerá o meu ser
em detrimento do meu corpo, fútil,
tosco.
a esta ferramenta de prazer
afinal restará, senão
apenas o perecer.


Rodrigo da C. Lima Bruni

swing descompassado

brinco com as palavras
gingo com as melodias
e de ambas me distraio
ao olhar, de soslaio,
o amanhecer amarelo.


vivo no compasso
desordenado da vida
que em bonitas melodias, talvez
mascare meu eu.


ou talvez seja somente eu
que a invente
para de mim escapar
a cada dia dessa vida
ah, que vontade de a matar.


Rodrigo da C. Lima Bruni

à noite

noite, que cega os corações dos infames que a encaram
amedronta os olhos dos fracos que a temem
e libera suas feras famintas de dinheiro.



noite, que ilumina a escuridão ofuscante,
estimula fantasias delirantes,
e nos faz seres pensantes.



noite, que amanhece nesses versos claros
e escurece nesses pensamentos raros.


Rodrigo da C. Lima Bruni